Algumas observações sobre a filosofia do amor em Dietrich von Hildebrand e Karol Wojtyla

Jarosław Merecki

Resumo


Em meu artigo, eu não pretendia oferecer uma análise histórica da relação mútua entre Hildebrand e Wojtyla. Até onde posso falar sobre as obras de Wojtyla, não encontramos qualquer referência direta a Hildebrand, e vice-versa. Eu não quero dizer que Wojtyla não conhecia o pensamento de Von Hildebrand. Pelo contrário, é bem possível que ele conhecesse ao menos algumas das obras filosóficas de Hildebrand, já que - como sabemos - ele estudou a ética de Max Scheler e, em geral, estava interessado no movimento fenomenológico. Por outro lado, nas obras de Tadeusz Styczen, que foi um dos colaboradores mais próximos de Wojtyla e seu sucessor na cadeira de ética na Universidade Católica de Lublin, freqüentemente encontramos referências às obras de Von Hildebrand. Assim, parece-me que podemos considerar que Wojtyla conhecia a filosofia de Von Hildebrand, mas ele não pertencia ao grupo de seus interlocutores diretos. Também é interessante notar que na Encíclica Veritatis splendor de João Paulo II, encontramos terminologia - a qual eu tentarei mostrar mais tarde - que é muito semelhante à de von Hildebrand, de modo que, ao menos neste caso, podemos fundamentar nossa suposição de alguma influência direta de Hildebrand sobre Wojtyla. Ao mesmo tempo, por razões metodológicas, as obras de João Paulo II não podem ser vistas como uma simples continuação do pensamento do filósofo Karol Wojtyla.
No entanto, independentemente das considerações históricas, podemos dizer uma coisa com certeza. Não é difícil notar uma afinidade profunda entre as abordagens desses dois filósofos, especialmente o modo como filosofia do amor é tratada. Ambos os pensadores reconhecem amor como a única resposta adequada ao valor da pessoa, e, nesse sentido, os dois são Personalistas éticos. Até onde eu posso observar, esta afinidade pode ser explicada simplesmente como um resultado do uso do método fenomenológico adotado por ambos, isto é, como o resultado de uma análise cuidadosa das experiências humanas. Hildebrand e Wojtyla seguem o programa do fundador da fenomenologia, Edmund Husserl, como expresso em seu famoso adágio: "zu zurück Sachen selbst" (ir ao encontro das coisas em si mesmas). Von Hildebrand e Wojtyla certamente subscreveriam o postulado de Husserl: "Nicht von den Philosophen, sondern von den Sachen und muss Problemen der Antrieb zur Forschung ausgehen" ("Não das filosofias, mas das coisas e dos problemas deve partir o impulso da ciência").

Em seu artigo sobre a ética e antropologia de Wojtyla, Tadeusz Styczen refere-se à prioridade de "intuição" (em alemão: Einsicht, que pode ser traduzido também como "intuição") sobre "opinião" (em alemão: Ansicht). Styczen diz:
"A reflexão antropológica de Karol Wojtyla é caracterizada pelo fato de que o autor não sabe como serão suas opiniões definitivas sobre a pessoa humana; ele só sabe que eles têm de ser subordinadas sem restrições à experiência do homem. No início conta apenas experiência, intuição só, que é a experiência do mundo e, ao mesmo tempo, minha própria a experiência como pessoa neste mundo."

Palavras-chave: Intuição; experiência; Hildebrand; Wojtyla


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Revista Diálogos Possíveis. ISSN impresso 1677-7603
ISSN eletrônico 2447-9047